Como inventariar customizações Datasul antes de uma atualização
Uma atualização do Datasul pode revelar um problema que passou despercebido durante anos: ninguém sabe exatamente quantas customizações existem, quais ainda são utilizadas e quais processos dependem delas.
Antes de alterar versões, releases ou componentes do ambiente, construir um inventário das customizações ajuda a transformar esse conhecimento disperso em uma lista analisável.
O objetivo não é assumir que todo desenvolvimento específico será impactado. É identificar o que existe, entender sua função e direcionar análise e testes para aquilo que realmente importa.
Por que inventariar antes da atualização?
Customizações podem ter sido criadas em diferentes momentos, por equipes diferentes e para necessidades que também mudaram ao longo do tempo.
Algumas continuam críticas para a operação. Outras podem ter uso reduzido, ter sido substituídas por novos processos ou possuir alternativa disponível atualmente no produto.
Sem um inventário, todas tendem a ser tratadas da mesma forma, o que dificulta priorizar análise e homologação.
O inventário não é apenas uma lista de programas
Saber o nome de um fonte ou executável é somente o começo.
Para cada customização, é útil identificar informações como:
- processo atendido;
- área usuária;
- responsável funcional;
- frequência de utilização;
- criticidade;
- tecnologia envolvida;
- integrações relacionadas;
- dependências;
- últimas alterações conhecidas;
- cenários necessários para teste.
Comece pelo que é conhecido
Documentações existentes, chamados antigos, especificações funcionais, repositórios de fontes e conhecimento das equipes podem ajudar a formar a primeira versão do inventário.
O objetivo inicial não precisa ser produzir uma documentação perfeita, mas reunir evidências suficientes para entender o ambiente.
Converse com quem utiliza o processo
Uma customização tecnicamente existente pode não representar mais um processo relevante.
Usuários-chave e responsáveis funcionais ajudam a confirmar se determinada solução continua sendo utilizada, em quais cenários e com qual importância para a operação.
Essa validação evita dedicar o mesmo esforço a componentes críticos e a desenvolvimentos praticamente abandonados.
Classifique por criticidade
Nem toda customização possui o mesmo impacto.
Uma classificação simples pode considerar, por exemplo:
- processo crítico para operação;
- processo importante, mas com alternativa manual;
- uso eventual;
- uso desconhecido;
- candidato a descontinuação.
A classificação precisa refletir a realidade da empresa, e não apenas a complexidade técnica do programa.
Identifique como a customização se conecta ao padrão
Alguns desenvolvimentos complementam rotinas padrão. Outros alteram comportamentos, participam de eventos ou executam processos paralelos.
Entender essa relação ajuda a avaliar onde uma mudança do produto pode produzir impacto.
Também permite identificar componentes que merecem atenção especial durante a análise da nova versão.
UPCs e pontos de extensão merecem rastreabilidade
Customizações implementadas por pontos de extensão precisam ser relacionadas às rotinas e processos em que são executadas.
O simples fato de uma UPC existir não significa que haverá impacto em uma atualização, mas conhecer onde ela participa facilita a análise quando a rotina padrão sofre evolução.
Integrações também fazem parte do inventário
Programas específicos frequentemente enviam ou recebem informações de outras aplicações.
Por isso, o inventário precisa considerar sistemas satélites, APIs, arquivos, filas, serviços e outros mecanismos relacionados ao processo.
Uma alteração aparentemente pequena pode ter impacto fora do ERP quando existe dependência entre sistemas.
Conheça também nosso serviço de Integrações Datasul e APIs.
Procure dependências
Uma customização pode depender de outros programas, includes, tabelas, parâmetros ou componentes específicos.
Mapear essas relações ajuda a evitar a análise isolada de um fonte que, na prática, participa de uma cadeia maior.
Quanto mais crítico o processo, maior a importância de compreender suas principais dependências.
Documentação inexistente não significa que a customização pode ser ignorada
Ambientes antigos frequentemente possuem desenvolvimentos com pouca ou nenhuma documentação atual.
Nesses casos, é necessário combinar análise técnica com conhecimento funcional para reconstruir o objetivo e o uso do componente.
A ausência de documentação deve ser tratada como um risco de conhecimento, não como evidência de que o programa é irrelevante.
Verifique se o padrão atual já atende à necessidade
Uma customização criada anos atrás pode ter surgido porque determinada funcionalidade não existia naquela época.
Antes de simplesmente transportá-la para o novo ambiente, vale verificar se o produto atual oferece alternativa capaz de atender ao processo.
Quando o padrão ou uma parametrização adequada resolve a necessidade, pode existir oportunidade de reduzir componentes específicos.
Veja também nosso artigo sobre quando customizar o Datasul e quando utilizar o padrão.
Não aproveite uma atualização para reescrever tudo sem critério
Uma atualização pode revelar oportunidades de melhoria, mas transformar o projeto em uma reengenharia completa aumenta escopo e risco.
É importante separar:
- adaptações realmente necessárias para atualização;
- correções de problemas existentes;
- melhorias desejáveis;
- desenvolvimentos candidatos a descontinuação.
Essa separação ajuda a controlar prioridades.
Crie uma matriz de análise
Uma forma prática de organizar o inventário é criar uma matriz contendo cada customização e os critérios necessários para decisão.
Ela pode registrar:
- identificador;
- descrição;
- processo;
- criticidade;
- uso confirmado;
- responsável;
- dependências;
- integrações;
- necessidade de análise técnica;
- cenário de teste;
- decisão tomada.
O formato pode variar conforme a governança da empresa.
Quais customizações analisar primeiro?
A priorização pode considerar:
- criticidade do processo;
- volume de utilização;
- proximidade com componentes alterados;
- quantidade de dependências;
- integrações envolvidas;
- histórico de problemas;
- complexidade técnica;
- ausência de conhecimento ou documentação.
Essa abordagem direciona esforço para os componentes com maior potencial de impacto.
O inventário precisa alimentar o plano de testes
O resultado do inventário não deve ficar isolado em uma planilha.
Customizações relevantes precisam gerar cenários de homologação.
O responsável funcional deve ajudar a definir o que representa comportamento correto antes e depois da atualização.
Teste o processo, não apenas o programa
Um programa pode abrir e executar sem erro e ainda assim produzir impacto em outra etapa.
Quando uma customização participa de um processo maior, a homologação deve verificar o fluxo necessário de ponta a ponta.
Veja também nosso artigo sobre como testar e homologar customizações no Datasul.
Registre a decisão sobre cada componente
Após a análise, uma customização pode seguir diferentes caminhos.
Por exemplo:
- manter sem alteração;
- ajustar;
- substituir por recurso padrão;
- reestruturar futuramente;
- descontinuar;
- investigar antes de decidir.
A decisão deve estar associada às evidências coletadas e aos responsáveis envolvidos.
O inventário também reduz dependência de conhecimento individual
Quando somente uma pessoa conhece determinado desenvolvimento, qualquer mudança de equipe aumenta o risco operacional.
Organizar informações mínimas sobre as customizações ajuda a transformar conhecimento individual em conhecimento do ambiente.
Progress OpenEdge e ABL na análise técnica
Em ambientes Datasul, muitos componentes específicos são desenvolvidos utilizando Progress OpenEdge e ABL.
A análise técnica pode envolver fontes, includes, pontos de extensão, serviços, integrações e demais dependências relacionadas ao desenvolvimento.
Conheça nosso serviço de Desenvolvimento Progress OpenEdge e ABL para Datasul.
Inventário é uma etapa da atualização, não o projeto inteiro
Depois de compreender as customizações, ainda é necessário analisar integrações, infraestrutura, processos, testes, usuários-chave e demais componentes do ambiente.
Para uma visão mais ampla, veja nosso artigo Como preparar uma atualização do Datasul: customizações, integrações e homologação.
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